Atendimento

O Que O Mundo Não Vê Sobre O TDAH – Por Fernanda Raabe Wortmann

            O dia 17 de julho é marcado pelo reconhecimento legal* do TDAH como deficiência oculta, ou seja, a garantia de direitos às pessoas que possuem o diagnóstico e que necessitam de apoio de nossas instituições e sociedade. Neste contexto, o símbolo eleito foi uma flor de girassol, que estampa os cordões garantindo visibilidade para a inclusão real. O girassol, por sua natureza heliotrópica, durante toda sua fase de desenvolvimento, busca incessantemente a luz solar guiado apenas por um relógio interno como estratégia de sobrevivência. Pessoas com TDAH não são diferentes: Sem diagnóstico e intervenção assertiva, durante todo período de neurodesenvolvimento vivem uma busca constante por pertencimento e aceitação, guiados apenas pelos seus “relógios internos”, que na maioria das vezes, está em descompasso com os de seus pares. As pessoas olham e pensam- “é burro”, “é preguiçoso”, é inadequado”, “é chato”. E assim vão se instaurando crenças limitantes em um pequeno corpo que apenas quer pertencer, e nesse anseio, acaba por excluído.

            O que não fica evidente, é que essas limitações neurobiológicas atribuídas ao TDAH, vão muito além das dificuldades reais em processar informações, manter esforço atencional, recrutar funções executivas, segurar a hipercinesia, controlar impulsos e assim conseguir aprender, quando se ainda é criança. As dificuldades se avolumam com o passar do tempo, acumulam prejuízos que se somam a comorbidades bastante graves. Adultos com TDAH, não são apenas sobreviventes, são mestres em tentar se adaptar aos ambientes que na maioria das vezes é hostil, assim como o girassol, que fica de pé a cada amanhecer.

            Inclusão não é tolerância, e passa por aceitação diagnóstica durante a infância, adesão ao tratamento adequado, mobilização da Escola para garantia de direitos, psicoeducação de pais para manejos assertivos em casa, aceitar a farmacologia como coadjuvante benéfica e principalmente, não forçar uma régua típica para um cérebro neurodivergente. Não é sobre “consertar” a pessoa, é sobre adaptar o ambiente. TDAH não é falta, é o que transborda. E o que transborda, quando bem direcionado, pode sim mudar o mundo.



*O Cordão de Girassol é uma fita verde estampada com girassóis. Reconhecido nacionalmente pela Lei Federal 14.624/2023 como símbolo de identificação de deficiências ocultas (como autismo, TDAH, surdez e doenças raras), ele sinaliza a funcionários e cidadãos que a pessoa pode precisar de compreensão, apoio ou atendimento prioritário.