Nossas Famílias, a base da nossa educação!

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No dia 24 de Janeiro comemoramos o Dia Internacional da Educação com o objetivo, segundo a Assembleia Geral da ONU, de destacar o papel da educação para a paz e o desenvolvimento sustentável. Todavia, educar não é função única de nossas escolas. O Psiquiatra e Terapeuta de Casais e Famílias Luiz Carlos Prado, um dos sócios fundadores do InTCC, nos faz refletir exatamente sobre isso ao nos lembrar sobre famílias e sua função primária: “oferecer um espaço de cuidados amorosos que propicie o crescimento dos filhos, ensinando-lhes a respeitar a vida, em todas as suas formas, a relacionar-se amorosamente com as pessoas, a ser solidário, produtivo e criativo“.

Confira abaixo o texto na íntegra!

A FAMÍLIA ESTÁ MAIS VIVA DO QUE NUNCA!

                                                                       Luiz Carlos Prado (*)

            Li, algum tempo atrás, uma entrevista de um psicanalista, Charles Melman, afirmando que “a instituição familiar está desaparecendo”. Também pude ler, na mesma ocasião, uma crônica de Claudia Laitano, que mesmo não sendo uma profissional da área, escreveu sobre o tema com grande propriedade. Em seu belo texto, afirmou: “crianças que crescem sem pais atuantes para amar, odiar e ter como referência, positiva ou negativa, podem dar muito trabalho quando adultas”, concluindo que “desaprendemos a ‘cuidar’, a abrir mão do nosso tempo em favor dos outros – mesmo que os ‘outros’ sejam pessoas que a gente ama”.

            Mas também acompanhei, na ocasião, um programa de televisão que apresentou a história de um jovem, oriundo de uma família muito simples, que passou em primeiro lugar no Vestibular de Medicina de uma Universidade Pública Federal. Em sua casa, extremamente pobre, onde vivia com sua família, havia lugar para alguns livros e uma mesa para que os filhos estudassem – ambos entraram na Universidade. Seus pais, mesmo em seu contexto de vida miserável, souberam educá-los e ensinar-lhes valores, entre eles a importância do estudo como fator de crescimento na vida. Essa é uma família muito viva!

            Muitos profissionais da área têm anunciado o fim da família, desde o clássico livro “A morte da família”, escrito no final dos anos 60 por David Cooper. Entre muitas coisas, ele afirmou que “a unidade familiar nuclear burguesa… converteu-se, neste século, na forma essencialmente aperfeiçoada do desencontro…” Isso continua sendo verdadeiro para muitas famílias, mas não para todas. Famílias existem que cumprem de forma exemplar com suas finalidades – a dos jovens acima citados é um exemplo, entre tantos. No filme A procura da felicidade, baseado em fatos reais, um pai (Will Smith) cuida sozinho de seu filho, nas condições mais adversas, sempre com uma dedicação exemplar, não perdendo oportunidade para ensinar-lhe algo importante sobre a vida, passando-lhe valores significativos. Em certo momento lhe diz que nunca deve deixar alguém levá-lo a desistir de seus sonhos, nem mesmo seu próprio pai... Essa é uma família mais viva do nunca!

            As famílias podem ter muitos formatos e modificarem-se em cada novo contexto social. Mas nada ainda pode substitui-la em sua função primária: oferecer um espaço de cuidados amorosos que propicie o crescimento dos filhos, ensinando-lhes a respeitar a vida, em todas as suas formas, a relacionar-se amorosamente com as pessoas, a ser solidário, produtivo e criativo. Indivíduos assim ainda existem, como nos prova a reportagem sobre o jovem estudante de Medicina ou o personagem vivido por Will Smith. Talvez, no meio de tantas notícias sobre falcatruas e corrupções de toda ordem e das violências inomináveis diariamente difundidas, tenhamos esquecido esse outro lado do mundo. Essas pessoas íntegras, amorosas, valiosas e éticas são frutos de famílias que foram capazes de cuidá-las num clima afetuoso e educá-las com respeito aos mais caros valores humanos. Essas famílias estão mais vivas do que nunca!

(*) Médico Psiquiatra, terapeuta de casais e famílias.



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