Diversidade sexual e de gênero: a construção do sujeito social

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Se no passado era assunto deixado de lado, hoje ganha destaque, ainda que a passos lentos.

As questões acerca de diversidade sexual e de gênero estão cada vez mais em evidência no mundo, felizmente. Se há algum tempo, pouco se debatia acerca do assunto, hoje em dia as abordagens a respeito maximizaram-se. A grande mídia é uma das responsáveis por isso. Novelas, filmes e séries têm trazido com frequência o assunto para nosso cotidiano. Mas será que isso é suficiente? Bem, ainda há um longo caminho a percorrer.

Não nascemos com traços culturais incutidos em nossas mentes. A socialização acontece ainda quando somos crianças, inseridas em determinada comunidade, e com formas definidas para compreender a realidade e interagir com os demais indivíduos. É este o processo responsável por garantir que, enquanto sujeitos sociais, aprendamos a nos guiar em meio a tantos significados, os quais formarão nosso comportamento.

No Brasil, ainda que de forma gradativa, a sociedade busca encontrar maneiras de inserir as discussões de sexualidade na educação. No entanto, as noções de puritanismo ainda prevalecem, de modo que há muitos tabus em torno do assunto. Muito se vê, por exemplo, a abordagem do sexo enquanto forma de procriação. Homo e transexualidade, infecções sexualmente transmissíveis, métodos contraceptivos, cultura machista, planejamento familiar e as questões de violência contra a mulher, ainda não têm o destaque devido.

Guiar crianças e jovens em prol do entendimento isento em torno destas questões é primordial. Promover debates consistentes, fóruns, criar meios criativos de abordagem com o objetivo de desmistificar e sanar dúvidas, livres de juízos de valor, fazem com que sejam construídos sujeitos verdadeiramente empáticos e livres de preconceitos.

Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Constituição Federal, a Lei Maria da Penha e tantas outras normas importantes para a sociedade devem ser levados ao cotidiano dos jovens. Isso porque a construção do sujeito social muito mais cidadão só será efetivada com êxito quando forem fomentados caminhos saudáveis na escola, em casa e na comunidade, ou seja, é um trabalho coletivo.

Afinal, se nem mesmo adultos conhecem a fundo os direitos e deveres que os regem, como esperar que os mais novos detenham informação e, para além disso, a coloquem em prática? É preciso ampliar conhecimento, abrir caminhos e mostrar às crianças e jovens que orientação sexual e sexualidade são garantias de todo cidadão e que por isso é preciso abrir debates para compreendê-los.

Tratar a respeito da sexualidade é debater a vida. Já abordar preconceito sexual, discriminação e exclusão é discutir empatia, amor ao próximo, respeito e tolerância. Embora pareça até redundante, o convívio em harmonia deve ser prioridade e é determinante para um sujeito social verdadeiramente cidadão.

Por fim, vale salientar que colocar em destaque temas como este é essencial por parte de pais, educadores, profissionais da psicologia e da psiquiatria e todos os indivíduos enquanto seres pertencentes a uma sociedade. Somente com a força de abordagens verdadeiramente consistentes e eficazes, é que formaremos pessoas que pensem de forma coletiva, empática e menos egocêntrica, em um mundo cheio de desigualdades.



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